Crédito à habitação acelera e mantém trajetória de crescimento em 2026

03.07.2026 Maquete de uma casa em cima de uns papeais com gráficos e uma bussola

Crédito à habitação acelera e mantém trajetória de crescimento em 2026

O mercado de crédito à habitação continua a evidenciar sinais de consolidação em 2026. De acordo com dados divulgados pelo Banco de Portugal, os empréstimos para habitação cresceram 10,8% em termos anuais em maio, o valor mais elevado desde fevereiro de 2003, confirmando a robustez da procura por financiamento para compra de casa.

 

A evolução surge num contexto de normalização gradual das condições de financiamento, estabilização das renegociações e valorização persistente dos imóveis. Depois de um início de ano marcado por volumes elevados de contratação, os indicadores disponíveis apontam para um mercado que mantém uma dinâmica positiva, apesar de as taxas de juro permanecerem acima dos níveis observados antes do ciclo de aperto monetário.

 

Em abril, o montante total de novos contratos de crédito à habitação ascendeu a 2.722 milhões de euros, o segundo valor mais elevado de 2026, apenas abaixo dos 3.056 milhões de euros registados em março. Excluindo renegociações, o crédito novo ultrapassou os 2.045 milhões de euros, superando pelo segundo mês consecutivo o limiar dos 2.000 milhões.

 

O peso das renegociações manteve-se próximo de 25%, em linha com o mês anterior, o que sugere uma fase de estabilização após o ciclo de forte ajustamento observado em 2023. Em setembro desse ano, as renegociações tinham atingido um peso de 53% no total do crédito contratado, refletindo a pressão sentida pelas famílias com a rápida subida das prestações. Desde então, a descida das taxas e a melhoria das condições de financiamento contribuíram para uma recomposição gradual do mercado, agora mais centrado em novas operações.

 

No plano das taxas de juro, a taxa média no crédito à habitação fixou-se em 2,86% em abril, ligeiramente acima dos mínimos recentes de 2,81%, mas ainda bastante abaixo do pico de 4,26% registado em julho de 2023. Esta evolução traduz uma normalização significativa face ao período mais intenso do aperto monetário. A Euribor a seis meses subiu para 2,49%, enquanto a taxa do Banco Central Europeu se manteve em 2,15%, sinalizando uma pausa no movimento de alívio monetário.

 

A preferência das famílias por soluções de taxa mista continua a ganhar expressão. Em abril, este tipo de produto atingiu 84,5% do total, um novo máximo histórico. Em sentido inverso, a taxa variável recuou para 13,9%, mínimo da série, enquanto a taxa fixa permaneceu residual, nos 1,6%. A evolução mostra uma clara procura por previsibilidade no curto prazo, combinada com alguma flexibilidade futura, num contexto em que a incerteza sobre a trajetória das taxas ainda condiciona as decisões das famílias.

 

A valorização dos imóveis mantém-se como outro dos fatores centrais do mercado. Em abril, a avaliação bancária atingiu 2.174 euros por metro quadrado, um novo máximo histórico, traduzindo uma subida homóloga de 308 euros por metro quadrado, equivalente a cerca de 16,5% face a abril de 2025. Por tipologia, os apartamentos chegaram aos 2.546 euros por metro quadrado, enquanto as moradias atingiram 1.561 euros por metro quadrado, com aumentos homólogos de 441 euros e 176 euros, respetivamente.

 

Também no plano transacional se observa um mercado a operar em patamares historicamente elevados. No primeiro trimestre de 2026 foram registadas 37.745 transações, uma correção face ao trimestre anterior, mas sem comprometer a leitura de solidez do setor. O montante médio transacionado subiu para 262.839 euros, novo máximo da série, refletindo a continuação da valorização das operações imobiliárias.

 

Nos últimos cinco anos, o mercado atravessou um ciclo completo de subida e descida das taxas de juro. Depois de um período de estabilidade em torno de 0,80% até ao início de 2022, a taxa média do crédito à habitação aumentou rapidamente em resposta ao ciclo de aperto monetário do Banco Central Europeu. A partir do pico de julho de 2023, iniciou-se uma descida gradual, acompanhando a mudança de orientação da política monetária europeia.

 

A conjugação entre crédito novo acima dos 2.000 milhões de euros, estabilização das renegociações, maior peso da taxa mista e avaliações bancárias em máximos históricos aponta para um mercado que continua dinâmico, embora sujeito a pressões de acessibilidade. A procura mantém-se resiliente, mas o aumento continuado dos preços da habitação reforça os desafios para as famílias, sobretudo num contexto em que o valor médio das transações e o preço por metro quadrado continuam a renovar máximos.

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